As ruas de São Paulo reúnem cerca de 12.671 vendedores ambulantes, distribuídos em 12.377 bancas, de acordo com estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os resultados foram divulgados em entrevista coletiva na última sexta-feira, 6 de outubro.
Para chegar a esses números, os pesquisadores percorreram 70 das 244 áreas da cidade com grande concentração de comércio de rua, como terminais e pontos de transporte público e o entorno de serviços públicos. Ao todo, 2.772 trabalhadores foram ouvidos em julho e agosto do ano passado.
Quem são os vendedores
Homens são 63% do grupo, e 40% têm de 31 a 50 anos. Pretos e pardos somam 53%, brancos, 34%, e indígenas, 10%. Segundo o pesquisador do Dieese Tiago Rangel Côrtes, essa última fatia é formada em grande parte por imigrantes vindos de países como Venezuela e Peru que se identificam como indígenas.
Estrangeiros representam 31% dos ambulantes, e muitos trabalham em condições ainda mais frágeis. Foram identificadas 30 nacionalidades, com predominância de sul-americanos. Quanto ao vínculo, 76% são donos da própria banca, 15% trabalham para outra pessoa sem carteira assinada e só 2% têm registro formal. Perto de 6% são parentes dos proprietários.
Renda, horas e mercadorias
O ganho médio no comércio de rua é de R$ 3 mil por mês, o equivalente a 56% da remuneração média dos empregados formais da capital, de aproximadamente R$ 5.323,04. Pouco mais da metade (56,5%) trabalha até 44 horas por semana, mas 44% passam desse limite, e quase 30% ficam mais de 51 horas semanais nas ruas.
Vestuário lidera as vendas, com 55% do total, seguido por comida pronta para consumo imediato (14%). Completam a lista eletrônicos, bebidas, alimentos industrializados, livros, bolsas e pequenos objetos.
Mesmo com as dificuldades, oito em cada dez ambulantes têm nessa ocupação sua única fonte de sustento, e 73% pretendem permanecer na atividade, sem procurar outro trabalho.
Barreiras para a regularização
Conseguir licença para vender na via pública é um dos principais obstáculos: somente 39% contam com autorização da prefeitura. Entre os que trabalham sem permissão, 80% gostariam de se regularizar, mas esbarram em custos elevados, burocracia e falta de pontos disponíveis.
