As vendas de petróleo da Petrobras para Índia, China e Coreia não devem ser afetadas pela guerra que envolve Estados Unidos, Israel e Irã. A avaliação é de Claudio Romeo Schlosser, diretor de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, que falou a jornalistas em entrevista coletiva no Rio de Janeiro. Segundo ele, as cargas destinadas a esses países seguem trajetos que não atravessam as zonas atingidas pelos combates, e por isso ele disse não enxergar ameaça às exportações.
Importações para a Reduc têm alternativas
O executivo também comentou a compra de um óleo específico usado na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), feita trimestralmente no volume de 100 barris por dia. De acordo com Schlosser, essa carga pode chegar por caminhos variados, como o Estreito de Ormuz, o Mar Vermelho ou terminais no norte do Mediterrâneo. Diante dessas opções, ele avalia que a guerra não coloca em risco o abastecimento.
Presidente vê cenário de incerteza extrema
A presidente da companhia, Magda Chambriard, descreveu o momento como de oscilação muito intensa. Na visão dela, o barril pode tanto disparar para US$ 180 quanto recuar para US$ 53, e a empresa precisa ser capaz de resistir a esse ambiente. Ela traçou um paralelo com o início da pandemia de Covid-19, quando houve corrida por itens como papel higiênico por medo de desabastecimento, receio que acabou não se confirmando.
Magda afirmou não haver fundamento econômico para altas repentinas de preços, como no caso do gás de cozinha, e classificou eventuais aumentos desse tipo como especulação. Ela pediu tranquilidade à população e recomendou evitar atitudes impulsivas que acabem pressionando os preços.
Lucro bilionário e mais produção
Em 2025, a estatal obteve lucro líquido de R$ 110,1 bilhões, avanço expressivo sobre o ano anterior. Segundo a presidente, o desempenho decorre da disciplina na alocação de capital e da eficiência das operações, que permitiram bons resultados mesmo com o Brent caindo de mais de US$ 80 para US$ 59 o barril.
A extração de óleo e gás também cresceu no ano passado, puxada sobretudo pelo aumento da capacidade do navio-plataforma (FPSO) Almirante Tamandaré, que passou de 225 mil para 270 mil barris diários. Esse ganho está em linha com as metas definidas para outras três unidades em construção em Singapura. A primeira deve desembarcar no Brasil em agosto; a segunda está prevista para chegar ainda neste ano, com início das operações esperado para o primeiro semestre de 2027. Magda destacou a antecipação dessas entregas e o trabalho conjunto entre as equipes da empresa.
