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Conflito no Oriente Médio pode favorecer venda de combustíveis do Brasil, diz Mdic

Petróleo mais caro, saldo melhor

O agravamento das tensões no Oriente Médio pode mexer com o comércio exterior brasileiro, principalmente no caso dos combustíveis. A avaliação é de Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Segundo ele, conflitos naquela região costumam fazer subir a cotação internacional do petróleo, e, como o Brasil vende mais do que compra desse produto, preços maiores tendem a melhorar o resultado do país nessa conta.

Risco para as vendas de alimentos

Se para os combustíveis o cenário pode ser favorável, para os alimentos há motivo de atenção. Brandão lembrou que o Oriente Médio é um destino importante para itens como frango, milho, açúcar e produtos halal, produzidos conforme preceitos islâmicos. Na visão do diretor, eventuais paralisações nesses embarques seriam passageiras, porque a demanda daqueles países continua existindo e o comércio costuma se reequilibrar.

Pelos números do Mdic, a região compra 32% do milho que o Brasil exporta, 30% da carne de aves, 17% do açúcar e 7% da carne bovina.

Estados Unidos: sétima queda seguida

Com outros parceiros, o comportamento foi bastante variado. As vendas brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 2,523 bilhões em fevereiro, recuo de 20,3% frente a um ano antes. As compras de produtos norte-americanos também diminuíram, 16,5%, e o resultado foi um déficit de US$ 265 milhões. Foi a sétima retração consecutiva das exportações para o país, efeito da sobretaxa de 50% imposta por Donald Trump a produtos brasileiros, decisões judiciais anteriores à derrubada dessa tarifa pela Corte Suprema.

China, União Europeia e Argentina

O movimento com a China foi oposto. As exportações para o país asiático cresceram 38,7% na comparação anual e chegaram a US$ 7,220 bilhões em fevereiro, enquanto as importações de lá desabaram 31,3%, para US$ 5,494 bilhões. O saldo favorável ao Brasil ficou em US$ 1,73 bilhão. De acordo com Brandão, a aquisição de uma plataforma de petróleo da Coreia do Sul, de aproximadamente US$ 2,5 bilhões, influenciou os dados de importação.

Com a União Europeia, as vendas avançaram 34,7%, para US$ 4,232 bilhões, e as compras recuaram 10,8%, gerando superávit de US$ 931 milhões. No caso da Argentina, os dois fluxos encolheram: as exportações caíram 26,5% e as importações, 19,2%. Ainda assim, o comércio com o vizinho terminou com saldo positivo de US$ 207 milhões para o Brasil.

O conjunto dos dados mostra oscilações expressivas no intercâmbio com parceiros centrais, como China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina, com reflexo direto sobre a balança comercial brasileira.