A guerra no Oriente Médio e o consequente encarecimento dos combustíveis pesam sobre a reunião desta quarta-feira (18) do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que definirá o rumo da Selic. Ainda assim, analistas veem espaço para o primeiro corte de juros em dois anos, apesar da recente escalada do petróleo. A aposta majoritária é de redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano.
A Selic subiu em sete reuniões seguidas e está parada no patamar atual há quatro encontros.
Projeções revistas
Antes do conflito, o boletim Focus, levantamento semanal feito com economistas do mercado financeiro, indicava um corte mais forte, de 0,5 ponto. A incerteza geopolítica fez a expectativa encolher para 0,25 ponto.
O colegiado estará desfalcado: os diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, tiveram os mandatos encerrados no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve mandar ao Congresso, nas próximas semanas, os nomes dos substitutos.
Cenário de preços
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,7% em fevereiro, puxado sobretudo pelas despesas com educação. Em 12 meses, porém, o índice recuou para 3,81%, menor nível desde maio de 2024.
Por causa da guerra, a projeção de inflação para 2026 passou de 3,8% para 4,1%, perto do limite superior da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem centro de 3% e tolerância até 4,5%.
No último Relatório de Política Monetária, de dezembro, o Banco Central estimava IPCA de 3,5% no fim de 2026. O número pode ser ajustado na próxima edição, esperada para o fim de março.
Como funcionam a Selic e a meta
Usada no Sistema Especial de Liquidação e Custódia, a Selic baliza as demais taxas de juros da economia e é o principal instrumento do Banco Central no combate à inflação. Para manter a taxa no nível definido, a autarquia segue recorrendo às operações de mercado aberto, mecanismo considerado essencial.
Desde janeiro de 2025 está em vigor o regime de meta contínua, com objetivo de 3% e margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Nesse modelo, a inflação acumulada em 12 meses é comparada mês a mês com a meta, o que permite calibrar as decisões ao longo do ano.
