Pela quinta reunião consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deixou a taxa Selic inalterada em 15% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade, já era aguardada pelo mercado financeiro, apesar do recuo recente da inflação e da cotação do dólar.
Esse é o patamar mais elevado dos juros básicos desde julho de 2006, quando a taxa estava em 15,25% ao ano. A manutenção busca conter a inflação, que fechou 2025 em 4,26% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o menor resultado anual desde 2018.
Sinal de corte no horizonte
Segundo o comunicado, o comitê poderá começar a reduzir a Selic no próximo encontro, desde que a inflação permaneça sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. O afrouxamento depende de a meta de inflação continuar sendo cumprida. Pelo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro, o BC precisa perseguir inflação de 3% ao ano, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
No Relatório de Política Monetária mais recente, a autoridade monetária reduziu de 4,5% para 3,5% sua estimativa para o IPCA de 2026, projeção que ainda pode ser revista. O boletim Focus, que compila as apostas das instituições financeiras, aponta inflação de 4% no ano, pouco acima do teto.
Efeitos dos juros sobre a economia
Juros elevados encarecem o crédito e desestimulam consumo e produção, o que ajuda a segurar os preços, mas pode frear o crescimento e afetar o Produto Interno Bruto (PIB). Em seu último relatório, o BC elevou de 1,5% para 1,6% a previsão de expansão da economia em 2026; o Focus estima um pouco mais, 1,8%.
A Selic serve ainda de referência para as demais taxas de juros do país e influencia as operações com títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Aumentos tendem a conter excessos de demanda; reduções podem baratear empréstimos e estimular consumo e produção, desde que a inflação esteja sob controle.
Comitê com duas cadeiras vagas
A votação ocorreu com o colegiado incompleto. Os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica terminaram no fim de 2025, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não escolheu os substitutos, o que deve ficar para depois da volta dos trabalhos do Congresso Nacional, em fevereiro. As vagas não interferiram nesta decisão, mas podem pesar nos próximos encontros caso os novos diretores não sejam nomeados a tempo.
