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Serviços digitais respondem por 65% das exportações recordes de serviços do Brasil

Recorde nas vendas externas

O Brasil exportou US$ 51,83 bilhões em serviços em 2025, valor recorde, e 65% desse total corresponde a serviços digitais. Os números constam do Painel Comércio Exterior Brasileiro de Serviços em Números (ComexVis Serviços), ferramenta lançada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) na quarta-feira, 28 de outubro. A plataforma traz informações inéditas e detalhadas sobre o comércio internacional de serviços e preenche um vazio nas estatísticas do país.

O que muda com o painel

A balança comercial tradicional mede apenas a entrada e a saída de mercadorias. Para os serviços, faltavam dados mais minuciosos: o Banco Central do Brasil já publicava números mensais sobre essas transações, mas somente de forma consolidada.

O novo painel complementa as estatísticas do Banco Central e passa a integrar o conjunto de dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Ele se soma a outras ferramentas digitais do ministério e permite consultar valores recentes, a evolução histórica dos fluxos e recortes por setor.

Produzida pela Secex, a ferramenta pretende dar mais transparência, qualificar o debate público e subsidiar políticas que tornem o Brasil mais competitivo no mercado internacional de serviços. Com acesso facilitado a dados atualizados, governo e iniciativa privada podem identificar novas oportunidades de negócio.

Segundo a Secex, o painel representa um avanço na disseminação de conhecimento sobre o setor e fortalece o comércio ao apresentar as informações de modo visual e intuitivo, o que ajuda governo, empresas e associações a enxergar oportunidades.

A visão de Alckmin

Para o vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin, os serviços são uma fronteira decisiva do comércio exterior. Ele lembrou que, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aproximadamente 40% do valor agregado dos manufaturados exportados pelo Brasil vem de serviços incorporados a esses produtos. De acordo com o ministro, a plataforma responde à demanda cada vez maior por dados organizados e de fácil acesso.

Balança de serviços segue negativa

O recorde não elimina o déficit histórico do país nessa conta. Em 2024, o Brasil comprou US$ 104,77 bilhões em serviços do exterior, o que gerou saldo negativo de US$ 52,94 bilhões. Esse resultado, somado às elevadas remessas de lucros em 2025, levou as contas externas brasileiras a um déficit total de US$ 68,791 bilhões no ano passado.

O rombo foi atenuado pelo superávit de US$ 68,293 bilhões da balança comercial em 2024 e pelo investimento estrangeiro direto, que chegou a US$ 77,676 bilhões naquele ano, o maior volume desde 2014. A expansão das exportações de serviços é vista como essencial para reduzir a dependência do país em relação ao capital externo.