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CNI defende investir 4,65% do PIB por ano em infraestrutura durante duas décadas

O Brasil teria de investir mais que o dobro do que aplica hoje em infraestrutura para eliminar o déficit no setor e se aproximar dos padrões internacionais. A conclusão é do estudo Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em 2024, os aportes somaram R$ 266,8 bilhões, ou 2,27% do PIB. A recomendação da entidade é chegar a 4,65% do PIB, perto de R$ 550 bilhões anuais, e sustentar esse ritmo por 20 anos.

Capital privado ganha espaço

O levantamento mostra que a origem do dinheiro mudou bastante entre 2010 e 2024. As fontes privadas, que somavam R$ 88,6 bilhões no período 2010-2014, chegaram a R$ 184,5 bilhões em 2024. No sentido oposto, os recursos públicos encolheram de R$ 208,5 bilhões para R$ 107 bilhões. Os organismos multilaterais aportaram R$ 8,4 bilhões em 2024. Com isso, a fatia privada no financiamento total passou de 29,3% (2010-2014) para 61,5% em 2024.

Proposta de regime misto

A confederação propõe um modelo de financiamento que combine dinheiro público e privado, fortaleça o mercado de capitais e torne viáveis os projetos de longo prazo. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, atrair investimento depende de estabilidade na economia e nas instituições, além de responsabilidade fiscal, instituições fortes e segurança jurídica — sem desprezar o papel do investimento público.

O documento também destaca a necessidade de uma estratégia de Estado que assegure a continuidade das obras. Segundo Alban, modernizar a infraestrutura exige um esforço permanente, organizado e amplo, que ultrapasse mandatos e se consolide como política de Estado.

O que a entidade sugere

Entre as medidas para baixar riscos e custos, o novo regime prevê:

  • estabilidade macroeconômica e fiscal;
  • mercado de capitais mais robusto, com maior presença de investidores institucionais;
  • expansão do crédito privado apoiada em bons modelos de avaliação de risco;
  • carteira maior de projetos estruturados para concessão;
  • segurança jurídica, previsibilidade regulatória e mais autonomia técnica para as agências reguladoras.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras instituições públicas de fomento são apontados como peças-chave para mitigar riscos e atrair capital privado.

Experiência de outros países

A CNI analisou os casos de Reino Unido, Chile e Austrália e encontrou pontos em comum entre os países que conseguiram ampliar o financiamento da infraestrutura: estabilidade econômica, instituições confiáveis, regras previsíveis, mercado de capitais desenvolvido e instrumentos de longo prazo. Para a entidade, o dinheiro público continua essencial, mas deve ser usado de forma estratégica, com a meta de alavancar mais investimento privado.