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Fim do bônus de Itaipu faz IPCA-15 de setembro subir 0,70%, maior alta desde abril

A prévia da inflação oficial subiu 0,70% em setembro, a maior variação desde abril, informou nesta sexta-feira (25) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em agosto, o indicador havia registrado deflação de 0,40%. O principal motivo da virada foi o fim do bônus de Itaipu, que tinha deixado as contas de luz mais baratas no mês anterior.

Conta de luz pesa no índice

A tarifa de energia elétrica residencial aumentou 7,42% e respondeu por 0,29 ponto percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). Em agosto, a conta havia caído 6,25% graças ao Bônus Itaipu, crédito concedido aos consumidores a partir do resultado positivo da hidrelétrica estatal.

De acordo com Roberto Luis Troster, economista do Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras, sem o efeito da energia o índice teria ficado em 0,41%, e não nos 0,70% apurados.

Grupos em alta

Dos nove grupos pesquisados, Habitação liderou, com 2,07%, seguida por Despesas Pessoais (0,96%) e Transportes (0,60%). Neste último, as passagens aéreas ficaram 9,82% mais caras e os combustíveis subiram 0,22%, com destaque para o gás veicular (1,56%) e a gasolina (0,30%).

A comida consumida em casa encareceu 0,38%, depois de recuar 0,97% em agosto. Tomate (20,76%), arroz (2,39%) e carnes (1,30%) puxaram a alta, enquanto feijão carioca (-6,33%), cebola (-4,41%) e café moído (-1,36%) ficaram mais baratos.

Acumulados e metodologia

O IPCA-15 soma 4,47% em 12 meses e 3,82% em 2026. Os preços desta edição foram coletados de 15 de agosto a 15 de setembro e refletem a cesta de consumo de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. O levantamento cobre 11 regiões metropolitanas e capitais; o IPCA completo abrange 16 localidades.

O método é o mesmo do IPCA, indicador que o governo usa como referência no sistema de metas, cujo alvo é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual. Para setembro, o boletim Focus, do Banco Central, projeta inflação de 0,52%.

O IBGE publica o IPCA cheio de setembro em 9 de outubro.