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IPCA sobe 0,82% em setembro e inflação em 12 meses estoura teto da meta, com 4,58%

A inflação oficial acelerou para 0,82% em setembro, informou nesta sexta-feira (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde março de 2026, quando o indicador marcou 0,88%.

Acima do limite da meta

Com o resultado, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,58% e ultrapassou o teto de 4,5% da meta, o que não ocorria desde junho deste ano, quando a taxa estava em 4,64%. O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixa o objetivo em 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, e, desde 2025, o cumprimento é verificado com base no acumulado dos últimos 12 meses.

Entre os fatores que mais contribuíram para essa aceleração, o destaque foi o término do Bônus de Itaipu, mecanismo que havia reduzido as contas de luz dos consumidores em agosto.

Energia, transporte e comida

Habitação, transportes e alimentos lideraram a alta. O grupo habitação subiu 2,31%, puxado pela energia elétrica, que ficou 7,98% mais cara e respondeu por 0,32 ponto percentual do índice. Em agosto, por conta do bônus, as tarifas haviam caído 7,63%.

Os transportes avançaram 0,89%. As passagens aéreas dispararam 9,66%, e os combustíveis também encareceram: etanol (3,16%), diesel (1,69%) e gasolina (1,21%).

Já alimentação e bebidas, depois de três meses seguidos de queda, subiu 0,83%. Pesaram o tomate, com alta de 37,76%, a batata-inglesa, de 24,07%, e a cebola, de 10,14%.

Difusão, serviços e monitorados

Segundo o IBGE, 55% dos 377 itens pesquisados ficaram mais caros em setembro, ante 54% em agosto, o que elevou o índice de difusão, indicador da proporção de produtos e serviços com aumento.

Os serviços, mais sensíveis ao ritmo da economia e à Selic, subiram 0,61% no mês e acumulam 5,98% em 12 meses. Os preços monitorados, que reúnem itens regulados por contratos e os combustíveis, avançaram 1,59%, com alta de 4,13% em 12 meses.

A coleta do IPCA abrange 16 capitais e considera famílias com rendimento mensal de um a 40 salários mínimos.