O Fundo Monetário Internacional (FMI) ficou menos otimista com a economia brasileira. No relatório World Economic Outlook (Perspectivas da Economia Mundial), divulgado na segunda-feira (12), a instituição reduziu a projeção de alta do PIB em 2026 de 2,4% para 2,2%. Para 2027, a expectativa recuou de 2,2% para 1,9%.
Política monetária apertada
Na avaliação do Fundo, o ritmo mais lento se explica pelas condições monetárias restritivas, pela retirada de estímulos fiscais e pelas incertezas no ambiente externo. A Selic, taxa básica usada pelo Banco Central para combater a inflação, está em 13,75% ao ano. Os cortes vêm sendo feitos de forma gradual desde março de 2026, quando a taxa estava em 15%.
Preços dentro do limite
Para a inflação, o FMI estima 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027. Os dois números ficam dentro da meta, cujo centro é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que leva o teto a 4,5%. O Ministério da Fazenda projeta 4,9% para 2026 e 3,8% para 2027, enquanto o Boletim Focus aponta 5,22% e 4,30%, respectivamente.
Petróleo e café
O relatório observa que a instabilidade nos preços do petróleo, provocada pelos conflitos no Golfo Pérsico, foi em parte compensada pela maior produção de Brasil, Cazaquistão, Estados Unidos e Venezuela. Os produtos agrícolas também encareceram, com destaque para o café, cuja cotação subiu 8% entre março e agosto, depois que chuvas fortes em Minas Gerais prejudicaram a colheita.
Desemprego deve subir
O FMI projeta taxa de desocupação de 6,2% em 2026 e de 6,8% em 2027. Os números mais recentes do IBGE, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, mostram desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor para esse período desde o início da série histórica, em 2012.
