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Caixa projeta carteira de crédito de R$ 1,5 trilhão já no primeiro semestre

O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, afirmou que o banco deve chegar a R$ 1,5 trilhão em crédito concedido ainda na primeira metade deste ano. A instituição espera celebrar a marca em 2025, depois de fechar o ano passado com estoque de R$ 1,38 trilhão, avanço de 11,5% na comparação com 2024.

O que puxou o crescimento

Três linhas lideraram a expansão: o crédito habitacional, que cresceu 13%; os empréstimos comerciais a empresas, com alta de 14,2%; e os empréstimos comerciais a pessoas físicas, que subiram 13,4%. Para 2025, a projeção do banco é de que a carteira aumente entre 9% e 13%.

Em 2024, o lucro líquido recorrente da Caixa somou R$ 15,5 bilhões, valor recorde e 10,4% acima do registrado no exercício anterior.

Interesse em ativos do BRB

Na entrevista coletiva, a direção do banco tratou da possibilidade de comprar ativos do Banco de Brasília (BRB), dizendo ter interesse em avaliar oportunidades no mercado. Na terça-feira anterior, a Câmara Legislativa do Distrito Federal deu aval a um projeto que autoriza capitalizar o BRB para reequilibrar suas finanças depois dos problemas envolvendo o Banco Master. A proposta permite que o DF levante até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou com outras instituições e também abre caminho para a venda de imóveis públicos.

Efeito do FGC no balanço

O FGC aprovou medidas para reforçar seus recursos, desfalcados pela liquidação do Banco Master, de modo a assegurar liquidez diante de riscos no sistema financeiro. Segundo a Caixa, essa recomposição não deve afetar seus números, já que o banco recorreu a depósitos compulsórios liberados pelo Banco Central para ganhar solidez. O vice-presidente financeiro, Marcos Brasiliano, reiterou a confiança na saúde do balanço frente a essas decisões.

Calote no agronegócio

Outro ponto levantado foi a inadimplência no agronegócio, que chegou a 14,09% no quarto trimestre de 2024. Brasiliano lembrou que uma linha de R$ 12 bilhões, aprovada pelo governo no ano passado, foi colocada à disposição para que os produtores rurais coloquem as dívidas em ordem.

De acordo com Henriete Sartori, vice-presidente de risco, o objetivo é manter estável a carteira voltada ao setor, em torno de R$ 62,9 bilhões. Ela disse esperar que a inadimplência do segmento se estabilize no primeiro trimestre, em parte por causa do período de colheita.