Cozinhas solidárias e pequenos agricultores marcaram nesta sexta-feira (16) o Dia Mundial da Alimentação com um objetivo em comum: impedir que o Brasil volte ao Mapa da Fome. A data chama atenção para o papel das redes comunitárias no combate à insegurança alimentar, apoiadas por políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos, do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Da horta ao prato
Um exemplo dessa engrenagem está em São Sebastião, no Distrito Federal. Ali, a agricultora familiar Hosana Alves do Nascimento transformou um terreno urbano em sistema agroflorestal, onde cultiva hortaliças, verduras, raízes e frutas sem uso de agrotóxicos. Essa produção de base agroecológica abastece cozinhas solidárias e ajuda a garantir comida em comunidades de baixa renda.
Um dos destinos é a Cozinha Solidária Cantinho da Vovó, em Brasília, sob coordenação de Maria do Cerrado. O espaço atende mais de 800 pessoas em situação de vulnerabilidade, servindo refeições e entregando 200 cestas básicas toda semana. Uma equipe de 37 voluntários se alterna para cuidar da organização e da entrega dos alimentos.
O papel das compras públicas
É o Programa de Aquisição de Alimentos que faz a ponte: o governo compra a produção da agricultura familiar e a encaminha a cozinhas solidárias. A Comidinhas da Vovó, também em Brasília, recebe esses produtos com frequência, o que amplia a qualidade nutricional das refeições oferecidas.
A secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social, Lilian Rahal, afirma que essas parcerias levam alimentos saudáveis e diversificados a lugares onde o poder público tem dificuldade de chegar. Variedade, segundo ela, é essencial para a segurança alimentar. Hosana conta, por exemplo, que crianças atendidas nunca tinham visto frutas comuns, como a melancia, até recebê-las.
Fome abaixo do patamar da ONU
De acordo com a ONU, o Brasil manteve a desnutrição abaixo de 2,5% da população nos últimos anos. A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, observa que a luta contra a insegurança alimentar ganhou força durante a pandemia, quando a sociedade civil criou cozinhas solidárias como a Comidinhas da Vovó. Esses espaços seguem essenciais para assegurar comida a muitos brasileiros.
