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Com dois diretores a menos, Copom faz primeira reunião do ano sobre a Selic em 15%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira, 28, pela primeira vez no ano, para definir a Selic. A taxa básica está hoje em 15% ao ano, o nível mais alto desde julho de 2006, e a aposta predominante entre os analistas é de manutenção. Embora a inflação tenha desacelerado, alguns componentes, como os serviços, continuam pressionando os preços.

Colegiado incompleto

O encontro acontece sem dois integrantes. Os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica acabaram no fim de 2025, e os substitutos ainda não foram indicados. A escolha depende da volta dos trabalhos no Congresso Nacional, que está em recesso.

Sinal de juros altos por mais tempo

A ata da reunião anterior, divulgada em dezembro, registrou que a Selic deveria ficar nesse patamar elevado por um período prolongado para levar a inflação à meta. O documento também apontou incerteza alta no cenário, o que pede prudência extra na política monetária.

O boletim Focus, levantamento do Banco Central com analistas do mercado, projeta Selic de 15% ao ano até março. Ainda assim, o recuo recente do dólar, que se acomodou perto de R$ 5,20, reforçou as apostas de um corte de juros já em janeiro.

O que dizem os índices de preços

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu apenas 0,2% em outubro e acumulou 4,5% em 12 meses, encostando no teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O alvo é contínuo, de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Mesmo com a moeda americana mais barata, a trajetória da inflação ainda gera dúvidas. O IPCA fechado de novembro também sai nesta quarta-feira e deve atualizar o quadro.

Como funciona o comitê

O Copom se reúne a cada 45 dias e usa a Selic como principal instrumento para controlar a inflação, já que ela serve de referência para as negociações com títulos públicos. Em cada encontro, estudos técnicos sobre as perspectivas da economia brasileira e mundial orientam a decisão.

O Banco Central segue cauteloso em meio à adaptação ao sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, que passa a acompanhar a inflação acumulada mês a mês, e não só o resultado de dezembro de cada ano. No fim de dezembro, a autoridade monetária estimava que o IPCA terminaria 2026 em 3,5%, número que pode ser revisto no próximo relatório de política monetária, previsto para março.