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Ata do Copom não indica novas reduções da Selic após corte para 14,75%

A ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) não trouxe sinal de que a Selic, a taxa básica de juros, voltará a cair. Na semana passada, o colegiado do Banco Central reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, e agora afirma que eventuais ajustes vão depender dos dados que forem surgindo.

Corte menor por causa da guerra

Antes de o conflito envolvendo o Irã se agravar, o mercado projetava uma queda maior, de 0,5 ponto percentual. O comitê, porém, avalia que a política monetária precisa seguir prudente neste momento. Segundo o documento, as expectativas de inflação vinham recuando, mas voltaram a subir depois do início das hostilidades no Oriente Médio, e hoje estão acima da meta de 3%, que admite intervalo de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O texto ressalta que a instabilidade geopolítica aumentou muito a incerteza e tornou mais difícil enxergar tendências claras na economia. Nesse ambiente, o Copom defende serenidade na condução dos juros, de modo que as próximas calibragens possam absorver informações sobre a duração dos conflitos e seus efeitos, sobretudo nos preços de commodities como o petróleo.

Riscos domésticos e fiscais

Fatores externos não são a única fonte de preocupação. A política econômica dos Estados Unidos e a situação das contas públicas brasileiras também alimentam a desconfiança. Para o comitê, controlar a inflação não é tarefa só da política monetária: depende igualmente do equilíbrio fiscal. A ata defende uma política fiscal contracíclica para conter o risco de alta do chamado “prêmio de risco”, que surge quando investidores passam a duvidar da capacidade do governo de pagar suas dívidas.

O Copom alerta ainda que, sem compromisso com reformas estruturais e com a disciplina nas contas, a “taxa de juros neutra” do país pode subir. Essa taxa determina o custo de reduzir a inflação sem prejudicar o crescimento. De acordo com o documento, expectativas desancoradas ameaçam a estabilidade e exigem maior rigor nas políticas fiscal e monetária para manter a confiança dos agentes econômicos.