Resultado do ano
O Brasil encerrou 2025 com déficit de US$ 68,791 bilhões nas transações correntes, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira. O valor corresponde a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB), proporção praticamente igual à de 2024, quando o saldo negativo foi de US$ 66,168 bilhões, ou 3,03% do PIB.
A conta, que reúne o comércio de bens e serviços e as transferências de renda com o resto do mundo, teve o pior desempenho desde 2014, ano em que o déficit chegou a US$ 110,5 bilhões. Só em dezembro de 2025, o saldo ficou negativo em US$ 3,363 bilhões, bem menos que os US$ 10,237 bilhões de dezembro de 2024.
Investimento estrangeiro cobre o buraco
Mesmo no vermelho, as contas externas foram financiadas com capital de longo prazo. Os investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 77,676 bilhões em 2025, acima dos US$ 74,091 bilhões do ano anterior, alta de 4,8%.
Também ajudaram as aplicações em renda fixa e outros instrumentos: os títulos de dívida tiveram ingresso líquido de US$ 20,229 bilhões, enquanto ações e fundos de investimento registraram saída de US$ 4,945 bilhões. No fim de 2025, as reservas internacionais estavam em US$ 358,234 bilhões, contra US$ 329,730 bilhões em 2024.
Balança comercial com saldo menor
As vendas externas do país alcançaram US$ 350,899 bilhões, avanço de 3,2% sobre 2024. As compras do exterior cresceram em ritmo maior, 6,2%, e chegaram a US$ 290,947 bilhões. Com isso, o superávit comercial diminuiu de US$ 65,842 bilhões para US$ 59,952 bilhões.
Serviços: apostas recuam, tecnologia avança
O saldo negativo em serviços caiu para US$ 52,940 bilhões, ante US$ 55,182 bilhões em 2024. Contribuiu para isso a redução de US$ 5 bilhões nas despesas líquidas com serviços pessoais, culturais e recreativos, efeito da nova legislação que passou a valer para as casas de apostas on-line em janeiro de 2025.
Na direção contrária, subiram as despesas com propriedade intelectual, que aumentaram US$ 2,5 bilhões em termos líquidos, e com telecomunicações, computação e informações, que cresceram US$ 941 milhões.
Na conta de viagens internacionais, o déficit foi de US$ 13,850 bilhões. Os brasileiros gastaram US$ 21,715 bilhões fora do país, enquanto os turistas estrangeiros desembolsaram US$ 7,865 bilhões no Brasil, valor recorde na série iniciada em 1995.
Juros, lucros e transferências
A renda primária, que reúne pagamentos de juros, lucros e dividendos, teve saldo negativo de US$ 81,347 bilhões, o mesmo de 2024. Já a renda secundária, formada por transferências sem contrapartida em bens ou serviços, ficou positiva em US$ 5,543 bilhões, acima dos US$ 4,505 bilhões do ano anterior.
