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Tesouro prevê Dívida Pública Federal entre R$ 9,3 tri e R$ 10,3 tri no fim de 2026

A Dívida Pública Federal (DPF) deve fechar 2026 em um intervalo entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões, segundo o Tesouro Nacional. A projeção consta do Plano Anual de Financiamento (PAF) e indica crescimento frente ao recorde de R$ 8,6 trilhões esperado para o fim de 2025. O documento fixa metas para a composição do endividamento e dá prioridade aos papéis corrigidos pela Selic, hoje muito atrativos por causa do nível alto da taxa.

Mais Selic, menos prefixados

O plano prevê diminuir a fatia dos títulos prefixados, cujos juros são definidos na emissão, e ampliar a dos papéis indexados à Selic. A intenção é atrair mais compradores, já que a remuneração atrelada à taxa básica está mais vantajosa do que há quase dois anos. Esse tipo de título, porém, deixa o custo exposto às variações dos juros: se o Banco Central subir a taxa básica, o endividamento fica ainda mais pressionado.

Os prefixados, por sua vez, dão mais previsibilidade no longo prazo, porque a taxa é travada no momento da venda. Em compensação, costumam pagar mais que a Selic, o que pode encarecer a dívida em momentos de instabilidade.

Prazos e vencimentos

O PAF também tratou do prazo médio da dívida, que deve ficar entre 3,8 e 4,2 anos no fim de 2025, uma pequena variação em relação aos 4 anos atuais. A parcela que vence em até 12 meses deve oscilar entre 18% e 22% até o fim de 2025, ante 17,5% hoje.

Proteção contra crises

Caso uma crise atrapalhe a venda de novos títulos, o governo conta com reservas internacionais capazes de cobrir os vencimentos da dívida externa em 2026, calculados em R$ 33,3 bilhões. Há ainda um colchão de liquidez de R$ 1,187 trilhão, suficiente para honrar os vencimentos da dívida interna por até 7,33 meses.

Como a dívida pública funciona

Para captar recursos, o Tesouro Nacional emite títulos e, com isso, toma dinheiro emprestado de investidores. Em troca, compromete-se a devolver o valor corrigido, seja pela Selic, pela inflação, pelo câmbio ou por uma taxa fixada na emissão. Esse modelo permite ao governo financiar suas obrigações e, ao mesmo tempo, administrar o custo e o risco da dívida de acordo com o cenário econômico. Segundo o Tesouro, as operações do Banco Central no mercado futuro de câmbio não afetam diretamente esses números.