A quinta-feira (24) foi de forte oscilação no mercado financeiro brasileiro. A moeda americana subiu 0,47% e encerrou o pregão vendida a R$ 5,1931, patamar que não era visto desde o fim de agosto. Na bolsa, o Ibovespa perdeu 0,99% e terminou o dia aos 183.965,91 pontos.
Trajetória da moeda
O dólar abriu a sessão a R$ 5,16 e bateu a máxima de R$ 5,202 perto das 15h. Em setembro, acumula valorização de 0,26%, mas no ano ainda registra queda de 5,39%. No exterior, a divisa também se fortaleceu: o índice DXY, que mede seu desempenho diante de outras seis moedas, avançou 0,14% e marcava 101,270 pontos às 17h.
O principal motor foi a alta nos juros dos papéis do Tesouro americano. A taxa do título de dez anos foi a 5,2209%, ante 5,114% no pregão anterior, e superou 5% ao ano pela primeira vez desde 2007. Com retornos mais atrativos nos Estados Unidos, houve saída de recursos de mercados emergentes como o Brasil, o que pressionou o câmbio por aqui.
Atuação do Banco Central
Para dar mais liquidez ao mercado, o Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em leilões de linha simultâneos, operação em que os dólares são vendidos com o compromisso de recompra mais adiante. A medida veio depois de o fluxo cambial ficar negativo em US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18, segundo dados da autoridade monetária.
O BC também revisou suas projeções: a estimativa de crescimento do PIB em 2026 caiu de 2% para 1,8%, e a de 2027 foi fixada em 1,4%.
Bolsa pressionada
A queda do Ibovespa refletiu uma combinação de fatores externos e domésticos. Lá fora, os rendimentos crescentes dos títulos americanos e a valorização do petróleo deixaram os investidores mais cautelosos com ativos de risco. No front interno, as revisões nas projeções fiscais pesaram: o bloqueio necessário de despesas diminuiu de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, porém a previsão de déficit para 2026 subiu para R$ 80,9 bilhões.
Disparada do petróleo
O barril do Brent, referência internacional, saltou 3,41% e foi a US$ 106,60. O WTI, usado como parâmetro nos Estados Unidos, ganhou 2,65% e fechou a US$ 94,61. As cotações reagiram às dúvidas sobre as negociações entre Washington e Teerã, especialmente quanto à possível reabertura do Estreito de Ormuz. Um eventual acordo poderia aliviar as limitações ao transporte de petróleo, mas a ausência de entendimento mantém os preços pressionados.
