O tarifaço do governo de Donald Trump deixou marcas na balança comercial brasileira. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que as exportações do Brasil para os Estados Unidos encolheram 6,6% em 2025, passando de US$ 40,368 bilhões em 2024 para US$ 37,716 bilhões.
Parte das vendas ainda paga sobretaxa
Mesmo após o alívio parcial nas tarifas norte-americanas, US$ 8,9 bilhões em mercadorias brasileiras, o equivalente a 22% do que o país vende aos EUA, continuam submetidos a cobranças adicionais, entre elas uma sobretaxa de 40% criada no verão. Outros 27% das exportações para aquele mercado foram atingidos pelas tarifas da Seção 232, ligadas à segurança nacional. Apenas 36% dos embarques ficaram livres de taxas extras.
Em dezembro, as vendas aos americanos caíram 7,2%, para US$ 3,449 bilhões. Foi o quinto recuo seguido desde julho, mês em que entrou em vigor a sobretaxa de 50%, o que mostra que a retirada de algumas tarifas não bastou para reverter a tendência.
Déficit com os americanos
No sentido contrário, as compras de produtos dos Estados Unidos subiram 11,3% e alcançaram US$ 45,246 bilhões. Com isso, o Brasil fechou 2025 com déficit de US$ 7,530 bilhões no comércio bilateral.
Governo aposta no diálogo
Em entrevista coletiva, o vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou que o governo segue conversando com Washington para reduzir os efeitos das tarifas. Ele destacou o peso da relação entre os presidentes Lula e Trump para eventuais avanços e afirmou que é possível chegar a um resultado em que ambos os lados ganhem, mencionando áreas estratégicas como terras raras e datacenters.
China e Europa compram mais
Com outros parceiros, o desempenho foi positivo. As exportações para a China cresceram 6% e chegaram a US$ 100,021 bilhões; as importações do país asiático avançaram 11,5%, e o saldo ficou favorável ao Brasil em US$ 29,091 bilhões.
Para a União Europeia, as vendas aumentaram 3,2%, somando US$ 49,810 bilhões. Como as importações também subiram, o resultado foi um déficit pequeno, de US$ 480 milhões. Só em dezembro, os embarques ao bloco europeu saltaram 39%, sinal de fôlego do comércio brasileiro fora do mercado norte-americano.
