O crédito ficou mais caro para as famílias brasileiras em 2025. Segundo o Banco Central, a taxa média cobrada das pessoas físicas avançou 7 pontos percentuais no ano e terminou dezembro em 60,1% ao ano. Parte da alta se deve ao peso do rotativo do cartão de crédito, modalidade conhecida pelos juros altíssimos. Mesmo depois de recuar 13,6 pontos percentuais em 2025, a taxa média do rotativo ficou em 438% ao ano.
Cartão e crédito pessoal
O rotativo entra em cena quando o cliente paga apenas parte da fatura e passa a ser cobrado juros sobre o saldo restante. Em geral, depois de 30 dias, esse débito é transformado em parcelamento, outra linha cujos juros também subiram: no cartão parcelado, a alta foi de 17,9 pontos percentuais em 2025, para 189% ao ano. Já o crédito pessoal sem consignação avançou 13,4 pontos percentuais, para 116,8% ao ano.
Custo maior também para empresas
As pessoas jurídicas pagaram em média 25% ao ano em 2025, aumento de 3,3 pontos percentuais. O capital de giro com prazo de até 365 dias teve salto de 30,6 pontos percentuais, chegando a 50,3% ao ano, enquanto o cheque especial empresarial subiu 24,7 pontos percentuais e atingiu 355,7% ao ano.
O estoque de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional fechou o ano em R$ 7,122 trilhões, alta de 10,2%, ritmo mais fraco que o de 2024. O crédito às empresas cresceu 8,1% e o destinado às famílias, 11,6%, abaixo dos 9,9% e 12,6% registrados, respectivamente, no ano anterior.
Selic e spread
O encarecimento acompanha a Selic, fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, o maior patamar desde julho de 2006. A taxa básica é usada para frear a inflação: ao desestimular a procura por crédito, ajuda a segurar os preços. O spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros médios cobrados dos clientes — ficou em 21,4 pontos percentuais em 2025, alta de 3,9 pontos no ano.
Calote e comprometimento da renda
A inadimplência, que considera atrasos acima de 90 dias, chegou a 4,1% em dezembro de 2025. Nas operações com famílias, o indicador subiu 1,5 ponto percentual e alcançou 5%. O endividamento das famílias, que compara o saldo das dívidas com a renda acumulada em 12 meses, foi de 49,8% em novembro, com crescimento de 1,5 ponto percentual no ano.
A parcela da renda mensal usada para pagar dívidas, chamada de comprometimento de renda, ficou em 29,3% em novembro, estável frente a outubro, mas 2,2 pontos percentuais acima do nível de 12 meses antes. Esses dois indicadores são calculados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE e, por isso, são divulgados com defasagem.
