Selic contra o tarifaço
Na entrevista coletiva de apresentação dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que os juros elevados prejudicaram mais a abertura de vagas em 2025 do que o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Para ele, considerando a indústria como um todo, os juros causaram mais estragos.
Segundo o ministro, a sobretaxa americana atingiu segmentos específicos, e parte de seus efeitos foi neutralizada por ações do governo brasileiro, como a busca de novos mercados e o socorro às empresas afetadas. Já a Selic, mantida em 15% ao ano, teve alcance muito maior, na avaliação de Marinho, e atrapalhou investimentos e contratações.
Pior saldo desde 2020
Em 2025, o país gerou 1,279 milhão de postos de trabalho com carteira assinada, 23,73% a menos que em 2024, quando foram abertas cerca de 1,677 milhão de vagas. É o desempenho mais fraco desde 2020, quando a pandemia levou o saldo ao negativo. Pelos dados do Caged, houve 26,6 milhões de contratações e 25,3 milhões de demissões ao longo do ano.
Em dezembro de 2025, foram fechadas 618 mil vagas em termos líquidos, resultado considerado normal para a época por causa do encerramento de contratos temporários e de ajustes de custos feitos pelas empresas.
O que esperar de 2026
Marinho afirmou que as informações preliminares de janeiro de 2026 são favoráveis, mas advertiu que, se os juros continuarem altos, uma parte importante do ano pode ser afetada. De acordo com ele, a política de juros elevados pode fazer investidores adiarem decisões, o que reduziria o ritmo de crescimento da economia.
