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Onça do ouro bate recorde de US$ 5.326 e acumula alta de mais de 90% em 12 meses

O ouro chegou ao maior preço da sua história na tarde de quarta-feira (28). No mercado internacional, a onça troy — unidade equivalente a 31,1035 gramas — era negociada a cerca de US$ 5.280, algo próximo de R$ 27,5 mil, depois de bater o pico de US$ 5.326 por volta das 15h. É a cotação mais alta já registrada para o metal à vista, que acumula valorização superior a 90% em 12 meses.

O novo recorde dá sequência à escalada recente. Nesta semana, o preço superou pela primeira vez a barreira dos US$ 5 mil, e em 2026 a alta já soma cerca de 22%. A explicação passa pela lei da oferta e da demanda: com a procura pelo metal mais forte, a cotação subiu junto.

Prata acompanha o movimento

A prata também disparou. Em um ano, a onça troy saiu de US$ 30 para o recorde de US$ 115. Na terça-feira (27), o metal era cotado perto de US$ 112.

Incerteza como combustível

Segundo especialistas, a escalada dos metais preciosos coincide com a chegada de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025. Naquele momento, a onça do ouro custava US$ 2.700; desde então, o valor quase dobrou, reflexo da incerteza trazida pela política econômica do republicano.

Para Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, o momento é marcado por muitas dúvidas, e ouro e prata são tradicionalmente encarados como reserva segura de valor. Ele avalia que o protecionismo de Trump, frequentemente visto como coercitivo, ampliou a desconfiança, e que sanções comerciais e disputas políticas, como as ameaças à Europa envolvendo a Groenlândia, aprofundaram a instabilidade.

A professora de economia do Ibmec-RJ Gecilda Esteves também cita o interesse de Trump pela Groenlândia e a longa guerra entre Rússia e Ucrânia como elementos que pioram a sensação de insegurança no mundo. Esse risco geopolítico adicional, segundo ela, empurra para cima os preços do ouro e da prata.

Quem está comprando

Nesse ambiente, investidores e governos procuram os metais para proteger seus recursos. Sartori observa que essas aplicações até podem oscilar menos, mas são buscadas sobretudo como forma de preservar patrimônio em períodos turbulentos.

Os bancos centrais, incluindo o brasileiro, vêm ampliando suas reservas em ouro, mas, de acordo com o economista, não são os principais responsáveis pela alta recente. O que de fato puxa a demanda, segundo ele, é o aumento do número de investidores interessados em diversificar e se proteger dos riscos atuais.

Ou seja, a atuação das autoridades monetárias pelo mundo teve influência no cenário, mas a procura adicional pelo metal vem principalmente de investidores atrás de segurança diante da incerteza nos mercados globais.