Os trabalhadores com mais de 50 anos ampliaram sua fatia nas vagas formais abertas pelo comércio e pelos serviços paulistas. Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), baseado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostra que esse grupo respondeu por 9% das 5,88 milhões de admissões registradas entre janeiro e novembro de 2025. Em 2021, a participação era de 7%.
Recorte por setor
Nos serviços, 10% dos contratados tinham mais de 50 anos; no atacado, 8%. O varejo foi onde a mudança ficou mais visível: a presença dessa faixa etária passou de 5% em 2021 para 8% em 2025, enquanto a dos jovens de até 29 anos caiu de 60% para 56%.
A entidade associa o movimento ao envelhecimento da população economicamente ativa, à permanência mais longa dos mais velhos no mercado e ao peso dado a atributos como experiência e estabilidade, valorizados por ajudar a reduzir os custos com rotatividade.
Mulheres são maioria entre os admitidos
No mesmo intervalo, foram contratadas 3,15 milhões de mulheres e 2,73 milhões de homens nos dois setores. A participação feminina cresceu 3 pontos percentuais frente a 2021 e chegou a 54% das admissões. Esse também é o percentual nos serviços, e no varejo elas somaram 55%. O atacado é exceção, com 60% de homens entre os contratados.
Para a FecomercioSP, o quadro revela transformações estruturais no mercado de trabalho do país, ligadas ao aumento da escolaridade das mulheres e às mudanças nas configurações familiares e sociais.
Nível de instrução
A maior parte dos admitidos, 68%, tinha o ensino médio completo. Os que tinham formação até o ensino médio representaram 15%, e os de nível superior, 17%. Nos serviços, a proporção de contratados com diploma universitário foi a mais alta, de 20%.
Segundo a federação, mesmo com essa variação, o ensino médio segue como o patamar mais requisitado pelas empresas, sinal de que boa parte das vagas é de qualificação intermediária. Isso, na avaliação da entidade, reforça a necessidade de investir em formação técnica e capacitação profissional.
A FecomercioSP conclui que a mudança no perfil dos contratados reflete a adaptação das empresas às transformações demográficas e à relativa falta de mão de obra qualificada. Os empregadores passaram a considerar um universo maior de candidatos, dando mais peso à experiência, sem abrir mão do ensino médio completo como requisito básico.
