A indústria de transformação brasileira faturou 3,5% menos em agosto, de acordo com dados divulgados na quarta-feira (7) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Foi a segunda retração mensal seguida. As horas trabalhadas e o uso da capacidade instalada também diminuíram, sinais de que a atividade fabril está perdendo fôlego.
Faturamento no vermelho no ano
Em julho, a receita bruta do setor já havia caído 2,2%. Com as duas quedas consecutivas, o faturamento acumulado de janeiro a agosto de 2026 ficou 0,2% abaixo do registrado nos mesmos meses do ano passado, o que mostra a desaceleração da indústria no terceiro trimestre.
Menos horas e capacidade ociosa
As horas trabalhadas nas fábricas encolheram 1% em agosto. No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, a redução é de 0,8% frente ao mesmo intervalo de 2025. O uso da capacidade instalada passou de 77,5% para 76,9% na comparação mensal.
Ainda assim, a média de utilização da capacidade entre janeiro e agosto segue 1,5% acima da observada no ano anterior.
Emprego parado, salários em alta
O emprego industrial ficou estável em agosto, comportamento que vem se repetindo nos últimos meses. No acumulado do ano, porém, o número de postos de trabalho é 0,5% menor que o de janeiro a agosto de 2025.
Por outro lado, a massa salarial e o rendimento médio subiram 0,5% em agosto, com altas de 0,9% e 1,5%, respectivamente, no acumulado do ano.
Pressões sobre o setor
Segundo a CNI, a carga de impostos, o custo alto de insumos e matérias-primas e os juros elevados seguem pesando sobre a indústria. Esses fatores reduzem a procura por bens industriais e também afetam o endividamento das famílias, com efeitos negativos para o setor no longo prazo.
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